
mtsrock@hotmail.com


E quando os olhos nos dizem algo em que jamais se acredita? Sim, de repente, um elefante voando no céu ou uma criança com olhar de ódio ou, ainda mais, uma criança preparada para a guerra. Sim, meu olhos choram, como se estivessem cansados de enxergar, como se fosse automático chorar diante do sol ou da chuva. E ninguém, ninguém sabe quando vai acabar nem quando começou toda essa real idade do mundo de dentes rangendo e mordidas no céu da boca. Os desesperados continuam correndo pelas ruas, mutilados, sem chão, correm como se voassem, correm como se estivessem para alcançar o que nunca vão encontrar. Lamentar é errar. Mas como faço para acertar? Jamais se acredita, também, num mundo onde ninguém sofra, jamais se colhem as flores nos jardins do vizinho e nem se cantam certas canções, desde que se sabe do mundo.
Não. Eu não estou sonhando nem adianta me calar. Mas o que serve? O que serve? Dinheiro. Cabelos bem tratados. Unhas bem feitas. Entretenimento. Busca de nada. E o mundo vai me dizendo mais. Tudo o que eu nunca posso acreditar que pode existir me vem na cara, sem nenhum pudor nem pena meus dos pecados nem da minha pequena cruz. Tudo cru, sem preparo nem banho maria. É assim que o mundo se diz pra mim.
Marinheiros e embarcações se encontram, mas o que fica? As embarcações navegam e os marinheiros morrem. A praia cheia de sangue. Areia e sangue banhando cada pé que um dia ousa. E o céu acima das cabeças de todos. Mergulhar num mar de sangue aos domingos e feriados, acompanhado de cerveja, bolas, biquínis e queijos nos dentes de sorrisos agradáveis.
A força seca e morre como qualquer lágrima. E como qualquer estação do ano, renasce, como se nada tivesse acontecido. Abrir os olhos novamente. Enxergar tudo em que se acredita e atravessar as esquinas feliz, por isso, só por ver o que é possível e provável, sem sofrimento. E vai mais um dia.
Criança, criança, peço-te paciência com tudo. E não ache que é engano a bala alada atravessando portas e paredes e corações. É tudo verdade, mas paciência. Numa brecha do dia se sai de casa e se passeia a beira mar. Mesmo o mar de sangue e a areia rubra dizem que ainda faltam muitos passos. E principalmente os corações que bóiam tão inocentes entre água salgada e peixes calmos, tais corações dizem mais, ouvi-os para que possa ouvir-te a ti mesma com toda a verdade que traz o teu espírito e poder ver a verdade em cada flash da vida, tua e do outro.
minina às 02h55