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De repente, parei: tudo o que nos rodeia, um dia foi inventado por alguém. Então, qual será a gênese da colher? Sim, exatamente este instrumento usado por todos nós nas comilanças diárias – eu, pelo menos, prefiro colher pra comer, daquelas de sobremesa de preferência. Para mim, comer de garfo e faca é incomodar-se, afastar-se da comida, ter nojo da comida, enfim, qualquer coisa que transgride, menos comer.
Decidida, bisbilhotei pela internet**, fui à Wikipédia. Tristemente constatei, lá não há nada que trate de como foi parido esse trivial instrumento:
“Colher é um utensílio culinário utilizado pela civilização ocidental moderna na alimentação, para a degustação de cremes e sopas e também tem importantes funções na cozinha.Uma colher é formada por uma parte côncava e uma pega.(...)”
Fiquei matutando, então, como foi? Como foi que alguém, achando demasiado melequento comer com a mão, teve a idéia de inventar algo para pegar o alimento cuidadosamente (uma delícia comer com mão, e já comi, mas não mantive o hábito, demora - coisa que esses tempos modernos voadores não me permitem... além disso, a vigilância sanitária...), Como terá sido o primeiro “protótipo” das colheres? Sei lá, algo como um pedaço de madeira atado à uma quenga de côco? De onde será, de que continente?
Acho que deveria ser criado o “Museu do Trivial” ou a “Wikivial”, onde houvesse o histórco do vaso sanitário, da mesa, da parede, da janela, do anel, do cobertor, da cadeira, do jarro, da escova de dentes!!!, da não menos louvável pasta de dentes, do pente para o cabelo, do condicionador, do shampoo, do guarda-roupas, do perfume, do desodorante!!... e enfim, da colher nossa de cada dia!
Só de pensar que todas essas coisas tiveram um inventor, e que quando eu pus os meu pezinhos na Terra já estava tudo prontinho e perfumado, me esperando – para também eu perfumar-me e brilhar feito piso de casa chique - , me faz refletir com muita profundidade: então o que eu sou vem desde a descoberta do fogo, da roda, e uma infindade de quinquilharias mais que passaram a fazer parte da excência humana.
Mas, sei lá, até que ponto esse acúmulo de tantas invenções faz bem a gente? Será que não nos afastamos da nossa essência com tantos “enfeites”; ou será que o que somos é inerente à invenção, e que estamos mesmo fadados a acumular nossos guarda roupas e armários e despensas, e quartinhos de bagunça com tanta e toda memória(?)?
Bem, no mais, somos o que comemos e também a colher que nos enfeita...

Mariana às 04h57 
"Nesse dia branco
Se branco ele for
Esse tanto esse canto de amor
Se você quiser e vier
Por que der e vier comigo"
Dia Branco - Geraldo Azevedo, por Amelinha
É interessante notar a minha surpresa quando estou passeando na internet, atenta para a congelada-congelante madrugada, e de repente, não mais que de repente, passarinhos cantando, sol iluminado de fora pra dentro...
Tudo isso me lembra da entrega, minha e do sol. Somos átomos entregues ao bel prazer da nossa natureza: ele, iluminar; eu, tatear na escuridão.
O tempo passando, o sol lá, será mesmo que o universo está se contraindo e um dia tudo será um simples cabum inexplicável?
Enquanto isso, cabunsiono meu cerebrinho e tento descobrir qual o fio da minha meada... Talvez alguém me ajude a descobrir por onde começar: - sol?
Sei que a quentura é um alento; a cidade aqui na serra é tão fria, o sol é importante quando se está com frio, e mais importante ainda quando não se espera por ele... Feito eu aqui, incólume na minha surpresa em constatar: amanheceu! Como se isso não fosse o mais fatal dos acontecimentos há tantos milhares de anos...
Impressionante como me espanto com tão pouco. Mas é o sol... tão infinitamente quente. Mas sou eu... tão infinitamente possível.

"amanhecer à minha porta...", eu mesma
Mariana às 06h13